Vigésimo primeiro texto de uma série baseada na viagem, devotada ao património cultural, que fiz no Sul da França (Costa Azul e Provença) durante o verão de 2025
Desde 2015, ano da sua criação, o grupo Retratistas do Morro vem apresentando a empresa de fotógrafos que vivem e laboram em favelas brasileiras e que registam o quotidiano dos moradores das mesmas.
A agremiação integra João Mendes (Iapú, Minas Gerais, 1951) e Afonso Pimenta (São Pedro do Suaçuí, Minas Gerais, 1954) e dedica fatia significativa das suas atividades à divulgação das fotos por eles tiradas — desde os últimos anos da década de sessenta do século xx — em Belo Horizonte, na comunidade da Serra, também conhecida por «Aglomerado da Serra» ou por «Serrão».
Das câmaras de João Mendes e de Afonso Pimenta saíram as fotografias vistas em Arles, na mostra Imagens da Comunidade da Serra, Belo Horizonte (1970‑1990). O artista Guilherme Cunha, mentor do projeto que os Retratistas do Morro levam a cabo, foi o curador da exposição.
Na comunidade da Serra, Mendes e Pimenta captaram imagens de casamentos, batizados, festas de aniversário, enterros, bailes, partidas de futebol e cerimónias escolares (o elenco não é exaustivo). Saltando do episódio banal para a cena inusitada, deixaram obra preciosa para conhecer a história daqueles que andam longe dos holofotes e das ribaltas.
O seu trabalho não disneylandiza nem explora a pobreza; didático, ele oscila entre o registo informativo e a nota humanista. O que vi em Arles instruiu‑me e aqueceu‑me o coração, não ouso pedir mais.