Diversão: um soneto de Florbela Espanca

Sexto texto de uma série baseada na viagem que, em janeiro de 2026, fiz a Madrid, a Toledo e ao mosteiro de São Lourenço do Escorial

À Jūratė, que comigo namorou em Toledo

Toledo, de Florbela Espanca, publicado pela primeira vez no livro Charneca em Flor (1931)

Diluído numa taça de oiro a arder

Toledo é um rubi. E hoje é só nosso!

O sol a rir… Vivalma… Não esboço

Um gesto que me não sinta esvaecer…

As tuas mãos tacteiam‑me a tremer…

Meu corpo de âmbar, harmonioso e moço,

É como um jasmineiro em alvoroço

Ébrio de sol, de aroma, de prazer!

Cerro um pouco o olhar, onde subsiste

Um romântico apelo vago e mudo,

– Um grande amor é sempre grave e triste.

Flameja ao longe o esmalte azul do Tejo…

Uma torre ergue ao céu um grito agudo…

Tua boca desfolha‑me num beijo…

Toledo, fotografia tirada no jardim da Mesquita do Cristo da Luz