Vigésimo texto de uma série baseada na viagem, devotada ao património cultural, que fiz no Sul da França (Costa Azul e Provença) durante o verão de 2025
Louise Mutrel, fotógrafa, nasceu em 1992, na cidade de Paris, e vem participando, no Japão, em encontros que reúnem entusiastas de dekotora, camiões customizados de mil e uma maneiras.
No festival arlesiano, Mutrel apresentou imagens de 2024, em suporte de alumínio, relativas a tão bizarra subcultura. Elas intrigaram‑me, aqui deixo nótula acerca das mesmas, nota que, como a exposição Only You Can Complete Me, tem natureza documentária.
Dekotora promana de «dekoreshon torakku» (camião decorado). No país do sol nascente, o respetivo culto começou nos anos setenta do século xx e terá atingido os seus fastígios durante as duas décadas seguintes. Hoje mantém‑se vivo, ainda que com menos adeptos.
A ornamentação desses mastodontes sobre rodas teve fins publicitários. Agora, por causa de normas legais e do juízo, nem sempre positivo, a eles associado, as empresas não utilizam os camiões avonde enfeitados no âmbito da sua atividade mercantil: a garridice e os néones sobram para os diletantes.
Os motivos da decoração dos veículos saem de mundos distintos, por exemplo: estampas japonesas (ukiyo‑e), universo Gundam, reino da Disney, crenças religiosas. As extravagâncias não ficam limitadas à parte externa do camião, também o casulo do condutor é convertido num pequeno palácio onde não faltam dourados, lustres, bibelôs coruscantes e padrões estrambólicos nos estofos.
As fotografias de Only You Can Complete Me mostravam um pouco dessas explosões de cor, luz e forma. Nem sequer faltava um adolescente montado na sua dekochari, bicicleta na qual, à semelhança do que sucede nos dekotora, brilham os arreios.



